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  • Filosofia da Educação
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    Filosofia da Educação é um Blog que ampliará a discussão de temas sobre Filosofia, Educação e Tecnologias de Informação e Comunicação de maneira dialógica. Acesse...
  • Publicações
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    Publicações é o local de publicacão, na íntegra, dos textos que constituem reflexões acerca dos principais temas de pesquisados. Acesse...
  • Café Filosófico Online
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    O Café Filosófico Online é um espaço em que temas Filosóficos poderão ser discutidos de forma síncrona e assíncrona por grupos inscritos no blog. Acesse...
  • TV Filosofia
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  • E-Books
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    E-book é um espaço em que o internauta poderá fazer dowloads de livros digitais e digitaçlizados de diversos áreas do conhecimento. Acesse...
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sábado, 19 de maio de 2012

Conversas Sobre Filosofia e Educação Ano 2: Filosofia da Educação e Educação (Discussões sobre Filosofia da Educação no Curso de Pedagogia a Distância da UAB/PPGE/UFJF em 2012) - Nietzsche e a Educação


Bom dia pessoal do GT2 sobre Nietzsche,

Estou aqui para trazer-lhes algumas informações sobre Nietzsche para enriquecer, ainda mais, suas considerações.

Nietszche, certamente, é o filósofo mais controverso que o ocidente já conheceu.
Desde moço, já se inquietava com a questão dos valores e conceitos universais e racionais que fundamentam a nossa sociedade e em sua maturidade disse a frase que marcaria sua filosofia e lhe traria o desprezo de muitos dos que não o entenderam: "Deus está morto". 

Isto não quer dizer que, por querer uma nova perspectiva para o ocidente, que Nietzsche seja um irracionalista. Ao contrário, o filósofo é sim um vitalista, um homem que fez uma crítica psicológico-moral e filológica (filologia é o estudo da linguagem) a todo o edifício lógico-racional do ocidente, entendendo o mundo como possibilidade de expressão de uma vontade de liberdade, uma vontade de potência que daria ao ocidente novas perspectivas (sua filosofia, além de vitalista, é perspectivista) de ser no mundo, de conhecimentos e de realidade. 

Por esta razão dizemos que Nietszche fez uma crítica radical à todo edifício de verdade (religiosa, filosófica e científica) do mundo como o conhecemos, como dizia, "uma filosofia à marteladas" que iria destruir todos os edifícios de verdade da razão ocidental.

Nietzsche, se posicionou contrário á toda a perspectiva de realidade que entendia que a única via para a verdade seria àquela inaugurada por Sócrates e Platão e que consolidaria toda a sorte de conhecimentos e de realidade do nosso mundo: a de que conhecer era estabelecer uma ordem, uma estabilidade, uma unidade ao mundo a partir do pensamento, da ideia, da razão (para Platão o ser é enquanto participar da ideia perfeita, do bem supremo no mundo das ideias). 

Para o filósofo, Sócrates (e depois Platão) exerceu um fascínio sobre seus concidadãos (e depois sobre toda a humanidade ocidental) por parecer um médico, um salvador que receitava bálsamos (remédios) para as almas (as consciências) aflitas que necessitavam se tranquilizar do caos, da desordem, da instabilidade, da multiplicidade, do mal (aqui mal tem uma significação moral ao contrário da palavra mau que tem uma significação técnica - o mau motorista por exemplo) próprias da vida contingente. Por isto, para Nietszche, Sócrates e Platão  foram os grandes moralistas da humanidade que impuseram uma "racionalidade a qualquer preço" aos seres humanos. Uma racionalidade que os impediriam de entender e viver a vida em toda a sua plenitude, movimento, instabilidade, criatividade. Ou seja, os filósofos gregos suplantaram o mundo da vida instintivo, dionisíaco, em devir em favor de um mundo intelectivo racional, apolíneo, cristalizado no valor de verdade absoluta, no bem supremo, que seria a marca do mundo, desde a Grécia Clássica, passando pelo mundo medieval cristão e se afirmando no iluminismo da modernidade. Mas Nietzsche questionará: Por que sempre a verdade?

Neste sentido, em termos pedagógicos, é que Nietszche nos traz uma grande reflexão acerca da educação. 
Ora, o mundo racionalizado do ocidente entende que a única maneira de ser e de viver é aquela que está presa aos valores conceituais e morais (do bem) estabelecidos pelo pensamento (cristão, filosófico e científico). Com isto há um nivelamento, uma igualização do ser, do sujeito, a padrões existenciais regulares, ordenados que levou, a educação, a aderir o que Foucault definiu mais tarde de sociedade disciplinar, uma sociedade de confinamento e disciplinarização para que todos sejam dóceis, iguais, morais e, sobretudo, emancipados, livres por participarem do bem, de um mesmo modelo de racionalidade, de sociedade, de cultura.

O que Nietszche, ao contrário, irá perguntar é: para que educar se toda a minha vontade de liberdade (vontade de potência e criatividade) estarão sob o julgo de uma vontade de verdade (de um único valor de verdade) e de uma má consciência ( a consciência de um bem supremo) que escraviza o homem (e mulher) em uma inelutável condição de rebanho, impedindo-o de agir segundo a sua vontade de potência, sua criatividade e diante do acontecimento e do devir da vida.

Para o filósofo, ao contrário desta lógica imobilizante, como apresentou Antônio Joaquim Severino no vídeo que assistiram, o papel da educação é libertar o indivíduo das amarras desta racionalidade que o restringe de ser "um além homem" (alguns dizem um super homem - übermensch, no alemão), um sujeito que deseja, que pensa, que cria, que vive a vida em seu acontecimento, em seu devir. O papel da educação, portanto, é o de despertar, o que tenho chamado de "sujeito poiético", um sujeito que, a partir de uma perspectiva ética, possa exercer sua vontade de liberdade, sua emancipação, criando e refletindo, criticamente, sobre os conhecimentos do mundo que nos cercam.

Talvez, esta seja a marca de uma nova perspectiva pedagógica para o ocidente: a que possa ressignificar/transformar a condição de subjetivação sujeito e sua própria condição de existência em nosso tempo para que, tal sujeito, possa ser o criador/inventor de novos saberes para a humanidade, um sujeito poiético, um artista da novidade conceitual da humanidade. 

Gostaram?

Para completar nossa reflexão, vejam o vídeo da série "Ser ou Não Ser" de Viviane Mosé, sobre Nietzsche:



Vejam, também, o vídeo sobre Nietzsche, dsicutido por Viviane Mosé, exibido no Café Filosófico no CPFL Cultura:





Abçs. 

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Recursos Educacionais Abertos e Redes Sociais: Coaprendizagem e Desenvolvimento Profissional




O mundo em rede cria uma sensação de "estar sempre em contato ou acessível" para "compartilhar, remixar e reutilização de informação". Alunos, educadores, pesquisadores e outros profissionais podem agora criar suas próprias comunidades; permitir a aprendizagem formal ou informal juntos e construir de forma colaborativa de conteúdo aberto.



Olá pessoal,

Aconteceu, no último dia 16 de abril, o pré lançamento do livro Recursos Educacionais Abertos e Redes Sociais: Coaprendizagem e Desenvolvimento Profissional, em Cambridge, Reino Unido, na conferência Cambridge 2012: Innovation and Impact - Openly Collaborating to Enhance Education (http://www.ucel.ac.uk/oer12/programme.html).


O Livro é o resultado das vozes de pesquisas e pesquisadores do Reino Unido, Brasil e Espanha através do Grupo de Pesquisa Internacional Colearn: Coletividades Abertas de Pesquisa, vinculado à Open University e que tem como mentoras do Projeto as pesquisadoras Alexandra Okada e Izabel Maister.

A obra expressa como tema central a questão dos recursos educacionais abertos (REA) que a partir da filosofia de abertura e de uma perspectiva de coaprendizagem disponibiliza ao público uma reflexão contundente sobre as principais questões que envolvem a produção de REA na cibercultura. 

A primeira versão da obra está disponível na internet no site: http://oer.kmi.open.ac.uk/  

Em agosto haverá o lançamento definitivo da obra que trará versões para telefones móveis e uma versão impressa. 

É só aguardar!



Alexandra Okada apresentando o livro na Conferência Internacional em Cambridge



quarta-feira, 11 de abril de 2012

Conversas Sobre Filosofia e Educação Ano 2: Cultura, culturas e Educação (Discussões sobre Filosofia da Educação no Curso de Pedagogia a Distância da UAB/PPGE/UFJF em 2012) - 2º DIÁLOGO



Boa tarde pessoal,

Acompanhei nos últimos dias seus diálogos e pude perceber que ao longo da discussão vocês foram crescendo, interpretativamente, e foram trazendo questões importantes do texto, uma diferença perceptível quando lemos as primeiras mensagens do fórum que eram mais descritivas que reflexivas.

Mas vamos trazer à tona algumas informações que vocês apontaram sobre o texto para que possamos sistematizar um pouco mais nossas ideias.


Quase todos vocês perceberam que Alfredo Veiga-Neto faz uma distinção entre o conceito de Cultura (com letra maiúscula) elaborado pela cultura do século XVIII e a ideia que temos hoje de culturas (no plural).

Uma frase que foi interessante dita pela Lucimar é de que "todo país tem sua cultura e educação específica". Partindo desta concepção podermos entender melhor o que o autor está nos dizendo sobre a "Cultura e as culturas".

Se pensarmos nestas distinções, podermos perceber que a ideia de multiculturalidade percorre a vida humana desde suas origens: a diferenças entre o homem e a mulher e os seus gostos distintos, entre as nações e suas lideranças,  entre os costumes e normas dos povos humanos. Desde sempre a diferença cultural esteve presente na vida humana sem que, todavia, os seres humanos fossem capazes de entendê-la e respeitá-la como características culturais dos povos. Por isto, foram infindáveis as guerras, disputas religiosas e aniquilamentos sociais que renderam ao homem o título de "bárbaro". Basta que, para relembrar estes fatos, olhemos para traz a contemplarmos a história do humanidade. 

 Neste sentido, é que o homem europeu, um ser que se entendia como centro do universo e manipulador da natureza, entendeu que seria necessário resgatar o conceito de cultura que no grego significava cultivo e passara a tratá-lo como Kultur, que passaria a ser escrito com letra maiúscula e representaria toda a produção e contribuição  teórica, técnica e material que o homem civilizado criaria em prol da humanidade.

Surgiria, então uma epistemologia monocultural. Ou seja, uma cultura pensada como única e universal que serviria para  moldar a este princípio todos aqueles que se encontrassem em uma condição desfavorável em relação civilidade dominante: em "estado de natureza" (Hobbes).

Sair deste "estado de natureza" (estado em que os indivíduos vivem isolados e em luta permanente, vigorando a guerra de todos contra todos ou "o homem lobo do homem") seria estar de acordo com as normas do "contrato social", para se tornar "disciplinado, tornar-se culto, tornar-se prudente, e moralizado. 

Por isto, que há uma distinção entre alta e baixa cultura e a educação passaria a ser o lugar em que os homens "menos cultivados" passariam a ser modelados "com a cultura daqueles homens cultivados 'que já tinham chegado lá"" (Veiga-Neto), no ápice da "verdadeira cultura".

Na nossa história, em um período anterior ao que estamos protagonizando (séc. XVII), já havíamos sentido na pele este fato com o advento da imposição da cultura européia (eurocentrismo) aos nativos brasileiros: os índios selvagens que necessitariam de se tornarem civilizados.





E como bem disse a Anna Christina "três séculos se passaram e nem a Cultura e nem a Educação mudaram muito". Continuamos fazendo uma distinção entre alta e baixa cultura, entendendo que somente alguns conhecimentos são passíveis de seres transmitidos para as gerações futuras. 

Ora, é só olharmos para a escola de cunho tradicionalista, disciplinadora e moralista, que entenderemos que a transmissão de conteúdos é uma imposição unilateral de saberes universais sem nenhum tipo de contextualização com a realidade: o objetivo principal deste modelo de educação é o cuidado, a disciplina (como propora Kant) e a instrução conceitual para a ação cívica na sociedade, uma escola pedagogicamente tradicional e monocultural.

Mas e a realidade múltipla e diversa que há fora da escola, os desejos individuais, a contextualização com a  multiculturalidade, a criação, inovação e invenção dos novos saberes, as múltiplas informações e possibilidades de acesso e comunicação de tais saberes, enfim, e as múltiplas possibilidades de pensar e recriar a realidade, ficam fora da escola? 

Esta instrumentalização razão  na intenção de impor às gerações uma cultura monolítica foi desenvolvendo-se, como nos aponta o filósofo Adorno, em um fenômeno que conhecemos bem: a indústria cultural. Ou seja, o papel de dominação cultural (da alta cultura) passaria das mãos da escola para as mãos dos veículos de massa (rádio, cinema, televisão, computador) e ajudaria a escola a imprimir na mente das pessoas um modelo cultural elitista e autoritário.    

Com estas interrogações, vocês podem perceber que a questão das culturas é mesmo mais complicado do que parece ser.

Mas nem tudo está perdido! 

O Brasil, por exemplo, é um local em que, mesmo que se queira imprimir uma monocultura, a diferença está sempre presente. Talvez este seja o problema em nossas escolas, que afeitas a modelos pedagógicos tradicionais eivados de monoculturalismo, sofra com a questão da indisciplina, da discriminação, da exclusão... Ora, Não há alta ou baixa cultura, mas somente, culturas!

Vejam o vídeo: A Vida é Desafio - Racionais MC



 O mundo está mudando, a multiculturalidade está presente em nossa realidade e muitas escolas insistem em se manterem modernamente tradicionais: continuam impondo um modelo de cultura inadequado às condições sócio-históricas do nosso espaço e tempo. 

Não estou, com isto, afirmando que não temos que conhecer a cultura acumulada pela tradição. Ao contrário, temos que beber de suas fontes para compreendê-la e ressiginificar o nosso espaço e tempo, a realidade (como faz os racionais MC, por exemplo). Ou seja, a Cultura é importante para compreendermos nossas culturas, mas não para termos a primeira como modelo único e inabalável a ser  seguido, aceitado, cultuado, cultivado...

Entender que vivemos em meio às culturas é poder entender-se como ser humano que está em um processo dinâmico de "cultivo de si mesmo", como entendera o filósofo Foucault, por estar imerso, contextualizado a algo maior do que apenas um modelo solitário de cultura. 

Mais do que nunca, no mundo em rede e comunicacional em que vivemos, em função das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), somos seres multiculturais.

Separei dois vídeos que nos darão mais pistas sobre o que acabei de enunciar:

Cultura do ponto de vista Antropológico: da natureza à cultura




Cultura y Naturaleza por Edgar Morin





O que acharam desta reflexão? O que vocês poderiam dizer a partir destes apontamentos? Qual a melhor maneira de educar, na monocultura ou na multiculturalidade?

Abçs.

Referência 

Veiga-Neto: Alfredo. Cultura, culturas e Educação. Disponível em: www.scielo.br/pdf/rbedu/n23/n23a01. Acesso em: 11 abr. 2012.

sábado, 31 de março de 2012

Conversas Sobre Educação Online: Educação Presencial e Online e Interatividade (Discussão sobre Educação Online no Curso de Pedagogia Presencial da FACED/UFJF em 2012) - 1º DIÁLOGO


Antes de ler o diálogo abaixo vejam o vídeo do Dr. Marco Silva sobre a questão da Interatividade na Educação.



Olá Pessoal,

É muito bom escutar a voz de vocês e as informações novas que podemos construir  a partir de nossas interações, não é mesmo?

A questão da mudança de paradigma de nossa sociedade é um dos pontos fundamentais a ser compreendido por nós, a fim de que possamos ultrapassar modelos tradicionais de produção de conhecimentos em favor de novos posicionamentos relacionais, interativos e dialógicos de criação dos saberes.

Como aponta Marco Silva (2009), o "ciberespaço e cibercultura significam rompimento paradigmático com o reinado da mídia de massa baseada na transmissão. Enquanto esta efetua a distribuição para o receptor massificado, o ciberespaço, fundado na codificação digital, permite ao indivíduo teleintrainterante a comunicação personalizada, operativa e colaborativa em rede hipertextual".

Ora, como a maioria de vocês apontaram não são poucas as experiências que temos do modelo educacional que valoriza a transmissão de conteúdos de forma irrefletida, sem a participação/interação dos ouvintes e  sobretudo, a partir de um modelo de imposição de valores de uns sobre os outros. Ora, isto não seria (de certo modo) os princípios da cultura de massa no seio da educação?

Atualmente, com a cibercultura a educação não pode admitir mais este tipo de relação monológica e unidirecional (em que só um fala e diz sobre o saber). Mas, sobretudo, que os espaços de criação e produção dos saberes acontecem no ciberespaço, em um espaço e tempo dialógico e com uma potencialidade de criação de saberes de forma co-participativa e interativa. 

Neste sentido, não sou eu que sei e o outro que escuta o que sei e sim somos nós que sabemos e criamos/produzimos os saberes co-participativamente e interativamente. Pois, como aponta André Lemos (apud SILVA, 2009) o ciberespaço é o “hipertexto mundial interativo, onde cada um pode adicionar, retirar e modificar partes dessa estrutura telemática, como um texto vivo, um organismo auto-organizante”; é o “ambiente de circulação de discussões pluralistas, reforçando competências diferenciadas e aproveitando o caldo de conhecimento que é gerado dos laços comunitários, podendo potencializar a troca de competências, gerando a coletivização dos saberes”; é o ambiente que “não tem controle centralizado, multiplicando-se de forma anárquica e extensa, desordenadamente, a partir de conexões múltiplas e diferenciadas, permitindo agregações ordinárias, ponto a ponto, formando comunidades ordinárias”.

Mas e a Educação o que tem feito diante da cibercultura?

Como vocês apontaram, as metodologias utilizadas na escola e universidades, tanto no modelo presencial quanto no online, ainda privilegiam a perspectiva monológica e uniderecional de transmissão dos conhecimentos. O professor sabe e fala o aluno escuta.

Todavia, " a geração digital", cada vez menos, vem aceitando estes posicionamentos pedagógicos tradicionalistas, uniderecionais e que tem por base o nonologismo como fonte de transmissão/imposição de conhecimentos. Pois, os "nativos digitais" "estão cada vez menos passivos perante a mensagem fechada à intervenção, pois aprenderam com o controle remoto da televisão, com ojoystick do videogame e agora com o mouse do computador conectado. Eles evitam acompanhar argumentos lineares que não permitem a sua interferência e lidam facilmente com a diversidade de conexões de informação e de comunicação nas telas. Modificam, produzem e partilham conteúdos. Essa atitude diante da mensagem é sua exigência de uma nova sala de aula, seja na educação básica e na universidade, seja na educação presencial e na educação à distância" (SILVA, 2009).

O nosso tempo mudou, a tecnocultura (a ciência aliada ás técnicas modernas) se transformou em cibercultura e as práticas pedagógicas, agora, estão imersas em novas perspectivas tecnológicas que, sem uma formação continuada adequada dos educadores, poderá provocar ou a ampliação qualitativa da educação ou o seu fracasso pedagógico.

Como já apontei acima, o conhecimento não é mais uma via de mão única e, sim, é um encontro entre saber, educador e educando: o nós em recriação e criação de saberes. Por isto que Marco Silva (2009) diz que "A participação do aprendiz inscreve-se nos estados potenciais do conhecimento proposto pelo professor, de modo que ambos evoluam com coerência e continuidade em torno dos objetivos de aprendizagem planejados. O aprendiz não está mais reduzido a olhar, ouvir, copiar e prestar contas. Ele cria, modifica, constrói, aumenta e, assim, torna-se coautor".  Ou seja, O educador "garante a possibilidade de significações livres e plurais e, sem perder de vista a coerência com sua opção crítica embutida na proposição, coloca-se aberto a ampliações, a modificações vindas da parte dos aprendizes"(SILVA, 2009).

Marcos Silva nos aponta, ainda, algumas pistas para o fazer pedagógico co-autoral e interativo que são muito interessantes: Propiciar oportunidades de múltiplas experimentações e expressões; Disponibilizar uma montagem de conexões em rede que permita múltiplas ocorrências; Provocar situações de inquietação criadora; Arquitetar colaborativamente percursos hipertextuais; Mobilizar a experiência do conhecimento.

Portanto, a pedagogia da co-autoria e da interativa é a nova perspectiva que tanto a educação presencial como a online necessitam conhecer e implementar em seus processo pedagógicos. Somente assim, poderemos dizer que a educação ultrapassará modelos pedagógicos unidirecionais e monológicos em favor de uma perspectiva multidirecional e dialógica, rumo a uma qualificação e ampliação da educação brasileira.

Espero que tenham gostado de estar nesta posição de co-autores interativos de conhecimentos!

Abçs.


Referências

SILVA, Marco. Educação Presencial e Online: sugestões de interatividade na cibercultura. Disponível em: <http://abciber.org/publicacoes/livro1/textos/educacao-presencial-e-online-sugestoes-de-interatividade-na-cibercultura/>. Acesso em: 01. mar. 2012.
LEMOS, André. Cibercultura, tecnologia e vida social na cultura contemporânea. 4. ed. Porto Alegre: Sulina, 2008. 

quarta-feira, 21 de março de 2012

Conversas Sobre Filosofia e Educação Ano 2: O que é Filosofia e Filosofia da Educação? (Discussões sobre Filosofia da Educação no Curso de Pedagogia a Distância da UAB/PPGE/UFJF em 2012) - 1º DIÁLOGO


Este diálogo representa a discussão teórica no curso de Filosofia da Educação a Distância da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora/ Universidade Aberta do Brasil em que sou tutor a distância.
O que pretendo é que o leitor possa compreender que o processo aprendizagem em Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA) como o Moodle pode ocorrer a partir de uma perspectiva dialógica em que tanto educando como educador são partes integrantes de uma dialogicidade que promove uma formação dialógica.      


Olá Pessoal,

Ufa!!!! Quantas informações, vozes, pensamentos.....
Que bom ver a animação de vocês e a vontade de buscar compreender o que é a Filosofia e a Filosofia da Educação!

Deixar vocês um pouco sós foi uma estratégia para que eu pudesse perceber o que fariam diante de uma questão tão profunda, complexa e diria até, inefável(que não se pode expressar tão facilmente).

Entender o que é a Filosofia e a Filosofia da Educação é uma tarefa que não será encerrada neste curso. Mas podermos apontar-lhes pistas para que possamos nos aproximar de alguma conceituação e contextualização aceitáveis sobre o que sejam estes conhecimentos. 

Primeiramente, podemos compreender de antemão que filosofia não é filosofia de vida! Ou seja, a filosofia de vida existe quando assumimos determinadas condutas (modos de ser e agir) que nos tornarão mais felizes (ou infelizes, depende do gosto), eficazes, satisfeitos, etc. Ou seja o fato de fazermos sempre uma coisa da mesma maneira aponta para a condição de termos uma filosofia de vida. As pessoas que se levantam e olham para o espelho e dizem que são lindas, que o dia será maravilhoso (auto ajuda), que olham para o sol e o homenageiam (como o pessoal da pousada da novela Fina Estampa), têm uma filosofia de vida. Nas empresas, por exemplo, o fato de terem determinadas ações rotineiras (café da manhã ou academia de ginástica para seus funcionários)  que melhorarão sua eficácia e desempenho econômico, a torna uma empresa com uma filosofia empresarial. Ações rotineiras, maneiras de conduta ou ações que visam a eficácia (dos ser humano ou da empresa) são filosofias de vida (ou empresariais, pessoais, profissionais) e não são filosofias! Tudo bem pessoal? 

Todavia, ao contrário do que disseram alguns(mas) de vocês, a Filosofia é um conhecimento que está presente em nossa vida em tempo integral por ser este um saber próprio do ser humano ( mas não como filosofia de vida).

Ora, não encontramos nenhum cachorrinho ou alface, ou pedra (a não ser em desenhos animados e filmes em que animais e seres inanimados se transformam em seres humanos - antropomorfismo) por aí questionando: O que eu sou? de onde eu vim? para onde eu vou? ou sussurrando a frase célebre de Shakespeare em algum canto desolado, "Ser ou não ser, eis a questão?.

Tais questionamentos nasceram quando o homem, mesmo antes da filosofia, começou a ter consciência de de si e de que ao seu redor existiam coisas, fenômenos e pessoas. Esta consciência fez surgir nos homens (e mulheres) uma profunda inquietação, uma necessidade visceral  em compreender o que sou eu e o que são tais entes que circundam à minha volta. Deste contexto, surgem as perguntas que vão povoar a mente dos seres humanos ao longo de toda a história humana e que criarão os mais diversos tipos de conhecimentos que os homens e mulheres foram capazes, como o mito, a religião, o senso comum, a filosofia, a ciência e a arte: quem sou eu? de onde eu vim? para onde eu vou? são os questionamentos (problemas) fundamentais que o ser humano tenta responder por toda a humanidade!

Por isto, que em O Mundo de Sofia temos, como prerrogativa filosófica do filme, uma carta que chega para Sofia Amundesen lhe questionando: Quem é você? A partir desta carta toda uma reflexão profunda sobre a história da filosofia (que é a história do pensamento dos homens e mulheres agindo e questionando a si mesmos e ao mundo) começa a se desenrolar 

Vejam o filme completo

Demerval Saviani, nos apontará que a filosofia "nasce" (ou acorda de um grande adormecimento) em nós, quando estamos diante de um problema que não temos as respostas. Portanto, a filosofia é uma inquietação, uma busca incessante, incansável para descobrir respostas a questões que talvez não saberemos respondê-las. Como muitas de vocês disseram é uma busca amorosa (no grego Philo=amizade, amante e Sophia=sabedoria) pelo conhecimentos mesmo que dele não obtenhamos respostas satisfatórios. Filosofia é então uma análise, crítica e reflexiva sistemática e criteriosa sobre todas as coisas que o homem tem a curiosidade de conhecer e desvendar, como várias de vocês disseram.

Talvez a melhor maneira de dizer o que é a filosofia seja a resposta dada por Marilena Chauí sobre qual a utilidade da filosofia:

"Qual seria, então, a utilidade da Filosofia?
Se abandonar a ingenuidade e os preconceitos do senso comum for útil; se não se deixar guiar pela submissão às idéias dominantes e aos poderes estabelecidos for útil; se buscar compreender a significação do mundo, da cultura, da história for útil; se conhecer o sentido das criações humanas nas artes, nas ciências e na política for útil; se dar a cada um de nós e à nossa sociedade os meios para serem conscientes de si e de suas ações numa prática que deseja a liberdade e a felicidade para todos for útil, então podemos dizer que a Filosofia é o mais útil de todos os saberes de que os seres humanos são capazes."

(CHAUÍ, Marilene, Convite à Filosofia. Disponível em: <http://www.fag.edu.br/professores/bau/FAG%202012/Fonoudiologia%20Filosofia/Livro%20Convite%20A%20FILOSOFIA%20CHAUI.pdf Acesso: em 21 mar.2012. p. 17)

Ora se a Filosofia é uma busca incessante para a compreensão de nós mesmos e dos entes que estão à nossa volta, o que seria então a Filosofia da Educação? 

Esta questão vamos discutir mais um pouco em outros momentos. Por ora, precisamos saber que a filosofia da educação questiona as práticas pedagógicas com a mesma potencialidade que interroga outras questões!

Espero que eu tenha clareado um pouco o pensamento de vocês sem que o tenha encerrado em um conceito único de filosofia!

Abçs.
  

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Os Principais Pensadores(as) da Educação

Fazendo algumas pesquisas encontrei um site muito interessante que faz referências aos principais pensadores(as) da Filosofia da Educação. 
No site é possível conhecer cada pensador(a) clicando em sua foto pendurada em uma árvore do pensamento educacional (imagem abaixo).

Cliquem na imagem abaixo e conheçam os pensamentos dos homens e mulheres que, a partir de suas reflexões críticas, propiram novas perspectivas ao ideário pedagógico da humanidade.   




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